Excesso de gastos e dívidas sufocam grandes partidos

Levantamento feito pelo EM nas prestações de contas das principais legendas indica dívidas milionárias e sinais de desequilíbrio financeiro

Tiago Pariz, Alessandra Melo, Ivan Iunes, Josie Jerônimo e Jaílson Paz

A menos de cinco meses da eleição, uma análise detalhada nas finanças dos principais partidos políticos mostra uma cena sombria. Mantidos com dinheiro público e doação de simpatizantes, as legendas têm máquinas endividadas, pesadas e sem sinais de planejamento estratégico.

O Estado de Minas avaliou as prestações de contas de PT, PSDB, PMDB, DEM, PSB, PV, PDT, PTB e PP.
Os gastos não seguem preceitos básicos para sobrevivência de grandes empresas. Muitos estão à beira da falência e num esforço para quitar dívidas contraídas nas eleições anteriores.
Esses nove partidos tiveram como despesa em 2009 pouco mais de R$ 136,8 milhões, segundo as prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Partido mais rico do país, o PT somou uma dívida de pouco mais de R$ 24 milhões, que está sendo paga mês a mês.
A legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com uma vantagem em relação aos adversários: o dízimo que pagam filiados eleitos e com cargos comissionados no Executivo e no Legislativo.
No ano passado, essa contribuição atingiu R$ 5,1 milhões, quase metade dos R$ 10,8 milhões arrecadados de empresas.
Dessa conta sai uma lógica simples: quanto mais inchada a máquina federal com petistas em cargos comissionados, mais rica a legenda.

Os adversários dos petistas acusam que essa condição só foi alcançada por conta de o partido estar à frente do governo.
Caso contrário, estaria minguando, com o pires na mão, pedindo contribuições.
Não fossem as doações de empresas, o PT teria fechado 2009 com déficit de pouco mais de R$ 4 milhões.

O PSDB deve R$ 7 milhões na praça.
Desde 2007, sobrevive quase que exclusivamente dos repasses dos cofres públicos por meio do Fundo Partidário.
E, pelo menos desde 2002, quando perdeu o comando do país, luta para equilibrar as finanças.
Parte das dívidas são da campanha em que José Serra (PSDB) perdeu a disputa para o presidente Lula.

fonte: Jornal Estado  de Minas
Publicação: 09/05/2010