Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem (1721)
 

Uma pérola incrustada no Itabirito

Praça Dom Silvério, a 1 Km do centro da cidade

 

Não se pode precisar a data da construção da Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem de Itabirito.   Contudo o erudito historiador marianense Monsenhor - Cônego Raimundo Otávio Trindade, crê na existência da Paróquia de Itabirito, antes de 1747.

Porém, já em 1721 era Itabirito assistida espiritualmente, sendo então celebradas Missas e administrados os Sacramentos por Sacerdotes Católicos, a que tudo indica, tinham sua residência nesta localidade.
 
Assim, vejamos: aos 08 dejulho de 1721, era realizado o primeiro Batizado de um adulto com o nome de Josef, escravo de Tomas Barbosa; aos 21 de junho de 1721  primeiro enterro, de Paulo, escravo do Pe. Paulo Carvalhosa de Castro.
Já em 01 de fevereiro de 1722, era realizado o casamento de Domingos e Grácia, escravos de Luiz Castilho de Valêncio.

Atribui-se a construção da Igreja como sendo de 1710 a 1720 construção muito sólida, seu interior um tanto sombrio, convida a alma à elevação, ao colóquio com Deus, à prece, à meditação.

Seus altares encantam. Há um conjunto de três altares, o Altar Mor com dois laterais primeiramente colocados, simplesmente deslumbrantes no seu todo; suas molduras bem talhadas relembram uma infinidade de arabescos artisticamente trabalhados e dispostos com suas colunas espirais salamônicas, douradas.

Não se pode também deixar de citar o trabalho nos púlpitos laterais.
As suas torres nos relembram castelos medievais com seu estilo sírio.
Magnífico relógio possui a Matriz, construído pelo então vigário Pe. Francisco Xavier de Souza (1871 a 1914), na simplicidade de seu mecanismo, funciona admiravelmente até hoje.

A exemplo de outras cidades há necessidade de que as autoridades locais abram uma verdadeira campanha em prol do turismo para se conhecer as grandezas da terra e as construções bi-seculares.

Há verdadeira harmonia na combinação das cores nas suas pinturas. No forro teto do presbitério aparecem grandes quadros representando a Ave Maria, gênero este de pintura talvez único no Estado.

Na Capela Mor tudo se refere ao SS. Sacramento.
Em 1915, no paroquiato do Pe. Randolfo Henriques, passou a Matriz por uma grande reforma; arrancaram o assoalho de tábuas da sacristia e daCapela do Santíssimo e colocaram ladrilhos.

A nave central conservou o assoalho com tábuas, porém, por pouco tempo, pois ele desapareceu na reforma seguinte. Neste mesmo paroquiato foi colocado à frente do Altar
Mor, um outro altar todo feito com mármore de Carrara, maravilhoso, só que não cabia dentro do estilo da igreja e mais tarde sairia.

Na regência do Monsenhor Antônio Faustino dos Reis, a parte interior da Matriz foi toda restaurada: os Altares, tetos e outras partes trabalhadas foram feitas, orientadas por Jair Ignácio. O assoalho de tábuas da Nave Central substituído por ladrilhos, padronizando assim o
piso da igreja.

Na ocasião foram retiradas das partes laterais em balaústres torneados, feitos de Jacarandá, que hoje ornamentam residência em alhures; isto para maior aproveitamento do templo que já estava pequeno para conter a população crescente.

Foi retirado o Altar de mármore, aparecendo novamente o antigo de beleza rara. Finalmente foi feito um acréscimo na parte do fundo, foi adaptada uma sacristia, em outro acréscimo ao lado da torre que contém o relógio.

E na atualidade, com nossa regência, percebendo que a parte externa principalmente, estava em condições precárias resolvemos fazer um trabalho de recuperação de todo o edifício.

Assim retiramos 95% do reboco, que estava estragado e colocamos um novo, o engradamento do telhado que depois de noventa anos estava todo apodrecido, como atesta milhares de pessoas que viram o madeirame à porta da Igreja Matriz, foi na sua totalidade substituído por parajú.

Na parte de iluminação foram colocadas onze lanternas, estilo colonial no seu exterior e, no seu interior substituídas as lâmpadas fluorescente e no seu lugar entraram oito lustres de cristal, dando destarte uma grande primitividade ao templo.

Foi colocado também, no frontispício da igreja duas novas janelas de ipê e uma talisca formando um magnífico conjunto arquitetônico, sem, contudo, ferir as regras do barroco.

Nas janelas laterais entraram treze novas guilhotinas, também de ipê, substituindo as antigas que estavam apodrecidas pelo tempo.

O serviço de pintura foi feito de novo, exceto os painéis da nave central e da Capela do Santíssimo, obedecendo, a rigor as exigências do estilo, o serviço de restauração da Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem de Itabirito não termina por aí, pois para colocá-la no seu estado original arrancamos os ladrilhos, substituindo-os por tábuas corridas.


do livro "Fundamentos históricos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem"
de autoria do Pe Miguel Fiorillo

Descrição
Área de 867 m², a Igreja está situada no centro do núcleo urbano que deu origem à cidade de Itabirito. O acesso principal se faz por modesta escadaria cimentada. É composta por nave única, coro e torres laterais de seção quadrada. Posteriormente, recebeu dois cômodos na lateral direita, entre o corpo da torre e a capela lateral, formando o batistério e um depósito que vem trabalhando como contra-forte da parede da nave, que teve sua estrutura comprometida com o abatimento do aterro na lateral leste. Ocupando toda a largura da Igreja, na parte posterior, foi executado outro anexo, onde se instalou a nova sacristia e um depósito no pavimento superior. Ainda na fachada posterior, criou-se pequeno apêndice, para a instalação sanitária.

A primeira etapa construtiva é toda em alvenaria de pedra com forros e pisos tabuados. Os anexos são em tijolos cerâmicos, com forros em laje, pisos cimentado e ladrilho hidráulicos. As molduras dos vãos, os cunhais da torre, a escadaria que dá acesso ao coro são em cantaria.

O frontispício conserva a disposição típica dos templos mineiros: o corpo central com porta principal e duas janelas-sacada de coro, ladeado por torres e encimado pela empena arrematada com pedestal e cruz em pedra, com óculo curvilíneo. A marcação é feita horizontalmente por cimalha de perfil curvilíneo em cantaria; verticalmente tem-se cunhais e pilastras em massa e sobre base em pedra. Nas torres, os cunhais toscanos, molduras de vãos e cimalhas são em pedra, encimados por pináculos. A fachada lateral direita, no corpo correspondente ao partido original, os vãos se dispõem com afastamentos irregulares. Observam-se as duas primeiras janelas com largura menor que as demais. Nos anexos, a tipologia das esquadrias foi mantida. Na lateral esquerda, a porta original de acesso à nave e à capela se mantém. A cobertura é em duas águas no corpo da nave e da capela-mor, estendendo sobre o pavimento superior do anexo da sacristia, a dos corredores laterais e anexos é em uma água. A cobertura possui beiral estreito em beira-seveira. As torres têm cobertura, cimalhas e coruchéu em pedra.

Sua rica decoração interna mostra o apogeu econômico na época de sua construção. A nave tem quatro retábulos, dois púlpitos com douramentos, pinturas e dossel. O arco-cruzeiro, com talha em alto relevo, tem douramentos e painéis com paisagens. A pintura do forro da nave é do século passado. No coro, o forro tem três painéis com pintura decorativa, separando-se da nave com lambrequins de madeira. Os balaústres são em madeira torneada, não recebendo pintura. Na capela-mor o forro apainelado tem pintura decorativa. O altar-mor é também da primeira fase do barroco mineiro e o camarim tem pintura monocromática.

O arcaz se encontra desde 1956, na nova sacristia. Os lustres são de cristal, colocados na década de 80. A iluminação externa é feita por luminárias em forma de lampiões fixadas nas fachadas e holofotes em postes nas ruas frontais .